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Pesquisa PNAE · Pesca Artesanal · Edição Comparativa

Nutricionistas/RT
× Merendeiras

Comparativo entre as percepções de nutricionistas e responsáveis técnicos (n=2.306) e de merendeiras/cozinheiras (n=24) sobre a oferta de pescado artesanal na alimentação escolar.

2.306
Nutricionistas / RT
24
Merendeiras / Cozinheiras
4.279
Total de respondentes
43
Perguntas avaliadas
Nutricionistas / RT (n=2.306)
Merendeiras / Cozinheiras (n=24)

As barras comparativas mostram percentuais dentro de cada grupo. Leia os dados das merendeiras com cautela: amostra pequena (n=24) pode amplificar variações individuais.

📊 Panorama Comparativo — Principais Divergências e Convergências

46%
das merendeiras nunca ofertam pescado — vs. 64% das nutricionistas
54%
das merendeiras citam risco de espinhas como principal barreira (54% vs 50% nutricionistas)
38%
das merendeiras recebem apoio técnico suficiente — vs. apenas 24% das nutricionistas
79%
das merendeiras nunca receberam capacitação CECANE — a maior lacuna encontrada
1. Perfil dos Respondentes
Distribuição por esfera de atuação — comparativo entre os dois grupos
Esfera de Atuação — Nutricionistas/RT
Esfera de Atuação — Merendeiras
* n=24 — interpretar com cautela
Top Estados — Merendeiras respondentes
Rio Grande do Sul7
São Paulo4
Rio de Janeiro4
Goiás2
Minas Gerais2
Outros (AM, BA, SC, RO, AL)5
2. Frequência de Oferta de Pescado
Comparativo: com que frequência cada grupo diz que o pescado é oferecido nas escolas
Nutricionistas / RT (n=2.306)
Nunca1.476 · 64%
Raramente314 · 14%
Mensalmente254 · 11%
Quinzenalmente186 · 8%
Semanalmente76 · 3%
Merendeiras (n=24)
Nunca11 · 46%
Raramente3 · 12%
Mensalmente3 · 12%
Quinzenalmente5 · 21%
Semanalmente2 · 8%
🔍
Divergência Significativa na FrequênciaAs merendeiras relatam oferta mais frequente: 46% dizem "nunca" (vs. 64% das nutricionistas). A taxa de oferta semanal/quinzenal das merendeiras soma 29%, contra apenas 11% nas nutricionistas. Isso pode refletir que as merendeiras respondem pela realidade da cozinha escolar (escala mais operacional), enquanto as nutricionistas têm visão do sistema como um todo — que inclui muitos municípios sem tradição pesqueira.
Frequência de Oferta — Comparativo Visual
3. Aceitação dos Estudantes
Percepção de cada grupo sobre como os alunos recebem o pescado
Aceitação — Nutricionistas/RT
Aceitação — Merendeiras
👁️
Merendeiras percebem pior aceitação (proporcionalmente)Entre as merendeiras que ofertam pescado, 29% relatam aceitação "ruim" ou "muito ruim" — percentual superior ao das nutricionistas (16%). As merendeiras, por estarem na linha de frente da cozinha, percebem diretamente a rejeição dos alunos no momento da refeição, o que pode explicar a percepção mais pessimista.
Aceitação — Comparativo por Categoria (excluindo "Não se aplica")
4. Dificuldades para Incluir Pescado
% de respondentes de cada grupo que citou cada barreira (múltipla escolha)
Barreiras — Comparativo % por Grupo
⚠️
Risco de Espinhas é a maior barreira para merendeiras (54%)Enquanto nutricionistas colocam o custo (50%) e espinhas (50%) empatados no topo, merendeiras colocam as espinhas em primeiro lugar e falta de hábito alimentar em segundo (50%). Faz sentido: são as merendeiras que manipulam o pescado e vivenciam o risco no preparo diário, além de lidar com a resistência dos alunos na mesa.
5. Apoio Técnico e Adequação Nutricional
Percepção sobre suporte institucional e se as quantidades por aluno são adequadas
Apoio Técnico Suficiente?
💡
Merendeiras sentem mais apoio (38% vs 24%)Proporcionalmente, mais merendeiras afirmam receber apoio técnico suficiente. Possível razão: merendeiras atuam em escolas individuais e podem receber orientação direta da nutricionista da rede, enquanto as nutricionistas respondentes são justamente quem falta apoio no nível sistêmico.
Quantidade por Aluno Adequada às Recomendações?
Alta incerteza nas merendeiras (42% "Não sei")As merendeiras têm maior proporção de "Não sei informar" (42%) comparado às nutricionistas (33%), o que reflete a diferença de formação técnica: nutricionistas conhecem as recomendações nutricionais do PNAE; merendeiras geralmente não têm acesso a esse referencial.
6. Espécies, Formas e Preparos
O que cada grupo usa e como prepara o pescado
Nutricionistas / RT

Espécies mais citadas:

🐟 Tilápia778
🥫 Sardinha286
🐟 Atum102
🦈 Cação83

Forma adquirida:

Filé de peixe1.031
Enlatado392

Preparo predominante:

Ao molho738
Assado315
Merendeiras (n=24)

Espécies mais citadas:

🐟 Tilápia6
🥫 Sardinha3
Pirarucu / Pescada1

Forma adquirida:

Filé de peixe9
Enlatado4
Isca1

Preparo predominante:

Ao molho14
Assado3
🤝
Convergência Total nas Preferências de PreparoAmbos os grupos dominantemente preparam "ao molho" e usam "filé de peixe" — há coerência entre o que a nutricionista prescreve no cardápio e o que a merendeira executa na cozinha. A tilápia lidera em ambos os grupos, reforçando que a espécie de aquicultura domina mesmo entre quem prepara o prato.
7. Preparações Alternativas e Tradição Cultural
Hambúrguer, almôndega, pão de peixe e presença de cultura pesqueira local
Uso de Preparações Alternativas — Comparativo
🍔
Merendeiras são mais conservadoras67% das merendeiras dizem "Não" às preparações alternativas (vs. 56% das nutricionistas). Apenas 1 merendeira (4%) as utiliza, contra 3% das nutricionistas. Isso sugere que a barreira não é só técnica — é também falta de receituário e treinamento específico para essas preparações nas cozinhas escolares.
Tradição Cultural de Pesca Artesanal
19%
Nutricionistas
relatam tradição
|
21%
Merendeiras
relatam tradição
Convergência na percepção culturalAmbos os grupos relatam proporções muito similares de presença de tradição pesqueira local (~20%). Isso valida que o contexto cultural é um determinante real — quem conhece a cozinha e quem planeja o cardápio têm a mesma leitura do território.
Critérios de Escolha do Pescado
8. Aquisição Real e Capacitação CECANE
Compras via FNDE e cobertura de capacitações técnicas
Comprou Pescado Artesanal via FNDE?
Capacitação CECANE Recebida
Nutricionistas
❌ Nunca637 · 28%
2024226 · 10%
2023119 · 5%
2025102 · 4%
Merendeiras
❌ Nunca10 · 79%
Não sabe4 · ~17%
2024/20252 · 8%
🚨
Merendeiras: a maior lacuna de capacitação79% das merendeiras nunca receberam qualquer capacitação do CECANE — mais que o dobro do percentual das nutricionistas (28%). Se as merendeiras são quem prepara o alimento, essa lacuna de formação é um gargalo crítico para a qualidade e segurança do pescado na escola.
9. Dificuldades com o Sistema BB Ágil
Acesso e uso do sistema de registro das compras da agricultura familiar
Nutricionistas / RT (n=2.306)
Sem acesso ao sistema914 · 40%
Ainda não utilizaram457 · 20%
Sem dificuldades403 · 17%
Falta de informações101 · 4%
Merendeiras (n=24)
Sem acesso ao sistema9 · 37%
Ainda não utilizaram6 · 25%
Sem dificuldades5 · 21%
Escassez de mão de obra1 · 4%
💻
Exclusão digital similar em ambos os grupos (~40%)Tanto nutricionistas (40%) quanto merendeiras (37%) relatam não ter acesso ao BB Ágil em proporções semelhantes. Porém, as merendeiras dificilmente têm atribuição de inserir dados nesse sistema — o que aponta para uma confusão de papéis: quem está respondendo pode ser a gestora da cozinha, e não a responsável pelas compras.
10. Análise Regional (Nutricionistas/RT)
Estados com maior percentual de oferta regular — base nutricionistas (dados mais robustos para análise regional)
% de Entidades com Oferta Regular de Pescado — Top 12 Estados
Estado % que Oferta Tendência Contexto
Acre62.5%AltaTradição ribeirinha e amazônica
Rondônia60.5%AltaCultura de pesca no interior
Amapá50.0%AltaRegião costeira e estuarina
Santa Catarina45.7%Média-AltaForte cadeia pesqueira artesanal
Ceará38.3%MédiaTradição pesqueira litorânea
Rio de Janeiro36.8%MédiaPresença de colônias de pescadores
São Paulo31.4%MédiaHeterogêneo — litoral vs. interior
Minas Gerais~18%BaixaInterior sem tradição pesqueira
11. Síntese Comparativa e Recomendações
Convergências, divergências principais e ações prioritárias para cada grupo
Mapa de Convergências e Divergências
Dimensão Nutricionistas/RT Merendeiras Interpretação
Frequência "Nunca" 64% 46% Merendeiras percebem mais oferta — visão operacional vs. sistêmica
Aceitação ruim/muito ruim 16% 29% Merendeiras vivenciam rejeição diretamente na refeição
Apoio técnico suficiente 24% 33% Merendeiras recebem orientação direta das nutricionistas da rede
Quantidade adequada — "Não sei" 33% 42% Lacuna de conhecimento nutricional nas cozinhas
Tradição cultural local 19% 21% ✅ Convergência — leitura do território alinhada
Preparo ao molho / filé Domina Domina ✅ Convergência — cardápio prescrito = executado
Espécies: tilápia 1º Sim Sim ✅ Convergência — aquicultura domina em ambos
Nunca recebeu CECANE 28% 79% 🚨 Maior divergência — merendeiras excluídas da capacitação
Barreira #1 citada Custo (50%) Espinhas (54%) Diferença de perspectiva: gestão financeira vs. execução culinária
Prep. alternativas — "Não" 56% 67% Merendeiras mais resistentes — falta de receituário e treino
🚩
Barreira Estrutural — Custo e FornecimentoCitada por ~50% de ambos os grupos. A ausência de regularização sanitária dos pescadores é o gargalo central que bloqueia tanto a decisão da nutricionista quanto a execução da merendeira.
🦴
Espinhas: problema maior para quem prepara54% das merendeiras vs. 50% das nutricionistas. Reforça a demanda por filés e preparações processadas — é a merendeira que corre o risco no preparo e lida com o medo dos alunos na refeição.
📚
Merendeiras excluídas da capacitação CECANE79% nunca receberam capacitação. É impossível esperar que a merendeira execute com qualidade e segurança o que não foi ensinado a ela. Incluir merendeiras nos treinamentos é ação de alto impacto e baixo custo.
💻
BB Ágil: exclusão digital similar em ambos~40% sem acesso em ambos os grupos. Porém, merendeiras dificilmente são as responsáveis pelo registro — o que indica que o formulário foi respondido por gestoras de cozinha com papel ampliado, não apenas operacional.
Recomendação #1 — Incluir Merendeiras nas CapacitaçõesA maior lacuna encontrada: 79% das merendeiras nunca receberam capacitação do CECANE. Criar formações específicas para manipuladoras de alimentos sobre preparo seguro e diversificado de pescado é a recomendação de maior impacto.
🍔
Recomendação #2 — Receituário para Preparações Alternativas67% das merendeiras não usam hambúrguer/almôndega de peixe. Distribuir receitas testadas e simples para merendeiras, com foco em eliminação de espinhas e aceitação infantil, pode mudar esse cenário rapidamente.
🤝
Recomendação #3 — Aproximar Nutricionista e MerendeiraAs convergências nas preferências de preparo e espécies mostram alinhamento. Formalizar canais de comunicação e capacitação conjunta entre RTs e merendeiras pode potencializar resultados já existentes.
🌎
Recomendação #4 — Replicar Boas Práticas RegionaisAcre (62%), Rondônia (61%) e Amapá (50%) têm modelos funcionais. Mapear e compartilhar as práticas desses estados — inclusive com merendeiras de outras regiões — é caminho direto para reduzir assimetrias.